2017-05-30

Os Descobrimentos Portugueses (4)



Estas minhas divagações sobre esta obra do Jaime Cortesão não são um resumo da obra de 960 páginas mas mais uma colectânea dos assuntos  que me despertaram mais a atenção.

No volume II apercebi-me finalmente (já não era sem tempo...) que os moçárabes eram os cristãos que permaneceram nos territórios conquistados pelos árabes, que invadiram a península ibérica no século VII e que por cá ficaram até ao século XV, ficando sob governação árabe, mantendo a sua religião mas adoptando muitos elementos da cultura do árabe, designadamente muitas palavras e muitas técnicas agrícolas.

Voltei a reparar que os rios vão assoreando e cidades como Silves e Coimbra, que há séculos foram portos marítimos com boas condições, hoje perderam o acesso comercial ao mar.

No volume IV fala-se dos Açores e do Mar dos Sargaços e mais uma vez refere-se a enorme dificuldade que a política de segredo do século XV coloca ao historiador actual, falando a seguir do desastre de Tânger onde ficou preso e morreu o infante D.Fernando.

Na página 403 deste volume fala-se das festas que alcançaram o auge em Lisboa nos últimos 12 dias que precederam a partida por mar em 25/Out/1451 com destino ao porto de Nápoles de D.Leonor, filha do falecido rei D.Duarte e irmã do rei D.Afonso V, para se casar com Frederico III, imperador do Sacro-Império Romano-Germânico e do choro colectivo que nessas festas suscitava a referência ao infante D.Fernando conforme relatado por um enviado e procurador do imperador.

Desde que fui surpreendido na biblioteca Piccolomini da catedral de Siena em Itália por este fresco


representando o encontro nessa cidade entre o imperador Frederico III e a princesa Leonor de Portugal, então noivos, e sobre o qual já falara neste post e ainda neste outro que sempre que vejo uma referência a este evento me interesso mais do que habitualmente para eventos desta natureza.

Desta vez fui à procura de mais imagens do casal, tendo encontrado referências as estas imagens






nas entradas da Wikipédia sobre o imperador Frederico III (1415-1493) e sobre a imperatriz Leonor de Portugal (1434-1467) que faleceu com apenas 33 anos mas deixando descendência.

Atribuem estes quadros ao pintor alemão Hans Burgkmair (1473-1531), o que me parece estranho dado que quando ele nasceu a imperatriz já tinha morrido, não encontrei ainda explicação para esta atribuição.

As imagens separadas parecem inspirar-se naquela em que estão juntos, pessoalmente prefiro aquelas em que estão separados. Não são cópias puras e simples, os escudos do Sacro-império e de Portugal estão em sítios diferentes e com dimensões diferentes nas representações quer da imperatriz quer do imperador.

Entretanto consultei a Wikipédia sobre os escudos usados nas diversas bandeiras de Portugal pois achei que o escudo de Portugal tinha castelos a mais. Aprendi que o número actual de 7 castelos é usado desde 1481



O número de castelos evoluiu de 13 para 10 e actualmente 7 mas não encontrei justificação para qualquer dos números escolhidos, fiquei a pensar que documentar as decisões tomadas não é o forte dos portugueses.

Resta-me a conjectura que passámos de querer mostrar que já tínhamos muitos castelos para uma representação mais minimalista. A cruz de Avis durou relativamente pouco e já tinha sido abandonada mesmo antes de 1481 pois não está representada nas imagens de Leonor.



2017-05-24

RHS Chelsea Flower Show


Quando uma vez disse a um inglês que gostava imenso dos jardins ingleses ele recomendou-me que seguisse os "Royal Horticultural Society shows/events", que organizavam visitas a jardins memoráveis.

Tomei agora conhecimento que decorre o Chelsea Flower Show, julgo que um evento anual, desta vez de 23-27/Mai.

Não estou à vontade para descrever a organização deste evento, mas passei por umas páginas da internet e guardei dele estas 5 fotos de "The Anneka Rice Colour Cutting Garden":








2017-05-22

Capas de revistas



As capas das revistas costumam trazer imagens que valem mais do que 1000 palavras, ainda mais quando são acompanhadas de poucas legendas.

À semelhança dos quadros, as fotografias  prestam-se a comentários quase sem fim, diria que contendo mais de 1000 palavras para fazer jus à frase comum..

Esta capa da Time de Dezembro de 2016 mostra que a revista não é fã de Donald Trump, fotografado na sua casa de Nova Iorque, ao nomeá-lo “Presidente dos Estados Divididos da América”.

Quando alguém é nomeado “pessoa do ano” pela Time isso significa que foi uma pessoa com um grande impacto global mas não necessariamente por boas razões.

Googlando (time person of the year 2016 image) podem-se ler  muitos comentários a esta fotografia de Nadav Kander, desde a posição do corpo e o fundo escuro ao forro parcialmente roto do cadeirão misteriosamente seleccionado para figurar na foto.






Não me tinha apercebido da quantidade de capas da Time em que Trump tem aparecido recentemente mas ao procurar na internet mais capas da Time cheguei entre outras a esta de Fevereiro de 2017 ,





Com este filminho do “making-of”:







A última capa da Time de Maio de 2017 mostra a Casa Branca transformando-se num edifício de estilo russo, com a cobertura já decorada com as cúpulas da catedral de São Basílio de Moscovo e com a cor branca já parcialmente mudada para o castanho avermelhado das paredes do Kremlin, traduzindo as suspeitas que se avolumam a cada semana que passa sobre as interferências russas nos E.U.A.



Curiosamente a revista humorística “Mad”, de que eu não ouvia falar há muito tempo, dedicara uma capa muito parecida ao tema da influência da Rússia sobre Trump já em Dezembro de 2016. A revista Mad diz-se honrada por este tributo que a Time agora lhe presta dado que há muitos anos lhe fizera alguns comentários desagradáveis. A seguir mostro a comparação das duas capas apresentada pelo Washington Times:






2017-05-18

O orgulho de ser japonesa


Li esta história deliciosa na BBC, onde contam que no Japão apareceram recentemente posters como este


com um texto dizendo "Estou contente de ser japonesa. Levantem a bandeira do Japão com orgulho no coração" (traduzido da versão inglesa da BBC). O poster levantou alguma polémica, pessoas viram com receio um possível regresso do nacionalismo japonês que deixou más memórias, outros diziam que gostar do seu país e da sua bandeira era natural.

Entretanto descobriu-se que a mulher que aparece no anúncio é chinesa, sendo a fotografia propriedade das Gettyimages como se constata por esta imagem


com ligação ao sítio da gettyimages onde diz que foi produzida em Beijing e tem como uma das palavras chave "chinese ethnicity".

Segundo o Huffington Post do Japão o poster foi encomendado por uma associação de santuários shintoístas ( a religião nacional do Japão).

Lembrei-me desta canção do Peter, Paul and Mary, cujos primeiros versos tocavam com enorme frequência no programa "Em Órbita" nos anos 60



cuja letra copiei deste Youtube

«
Because all men are brothers wherever men may be
One Union shall unite us forever proud and free
No tyrant shall defeat us, no nation strike us down
All men who toil shall greet us the whole wide world around.

My brothers are all others forever hand in hand
Where chimes the bell of freedom there is my native land
My brother's fears are my fears yellow white or brown
My brother's tears are my tears the whole wide world around.

Let every voice be thunder, let every heart beat strong
Until all tyrants perish our work shall not be done
Let not our memories fail us the lost year shall be found
Let slavery's chains be broken the whole wide world around.

Songwriters TOM GLAZER
Published by Lyrics © MEMORY LANE MUSIC GROUP
»

Apercebi-me agora que se trata de uma composição de Johann Sebastian Bach neste Youtube



Quem sabe ler partituras poderá obter a desta música aqui.

Adenda(s): entretanto um amigo indicou-me o Youtube que segue, com o coral "O Haupt voll Blut und Wunden" na Paixão segundo S.Mateus de J.S.Bach:




coral que afinal antecede o Bach como diz neste sítio indicado num comentário da Helena.

2017-05-16

Os Descobrimentos Portugueses (3)


Na caracterização das civilizações Jaime Cortesão criticava o sistema de castas na Índia e elogiava vários aspectos da civilização chinesa. Os motivos para fazer todas estas viagens não são naturalmente esquecidos, a conquista, a propagação da fé cristã e a realização de bons negócios tiveram todos a sua parte, não necessariamente por esta ordem.

Já não me lembro se também falou na posição periférica da peninsula ibérica, bem como da Inglaterra e da Escandinávia, quem está longe do centro tenta descobrir o que há lá longe.

Na descrição das dificuldades encontradas pelos portugueses o autor dá o devido (talvez até um pouco demais...) relevo às dificuldades da navegação no Oceano Atlântico designadamente à existência de correntes e de  ventos, cujas direcções estatisticamente dominantes variam com o local e com as estações do ano, para não falar nas tempestades. Por exemplo as zonas sem vento do Golfo da Guiné obrigavam os navios a afastar-se muito da costa para chegar ao sul do continente africano. Por outro lado, era difícil conhecer a localização do navio no alto-mar pois enquanto a latitude era relativamente fácil de determinar com o céu descoberto, o cálculo da longitude revelou-se muito mais difícil conforme relatado na entrada “longitude” da Wikipédia ou com mais pormenor na entrada “History of longitude”, sintomaticamente sem versão em língua portuguesa pois a sua versão está incluída na primeira entrada referida.

O almirante Gago Coutinho refez algumas viagens no Atlântico em embarcações à vela para verificar a plausibilidade de conjecturas sobre o que se tinha passado em algumas das viagens dos portugueses no século XV.

No mar alto só os astros nos podem guiar. Neste mar do Algarve a esteira luminosa indica aproximadamente a direcção Sul.




Os Descobrimentos Portugueses (2)


Acabei de ler a republicação pelo jornal Expresso desta obra de Jaime Cortesão que já referi aqui.

Tenho uma ligeira obsessão pelas datas dos documentos, quanto mais não seja como critério de último recurso para os classificar e noto que nas edições portuguesas existe geralmente pouca consideração por esta informação. Por exemplo nesta edição refere-se apenas que foi impressa em Março/2016, sendo omissa quanto à data da primeira publicação. 

Vi na pág.797 do Volume VII uma referência às comemorações do V Centenário da morte do Infante D.Henrique que ocorreram em 1959 e dado que o autor faleceu em 1960 o original foi concluído entre estes dois eventos.

Trata-se portanto de um texto escrito há 57 anos, período de tempo que o torna mais adequado para os historiadores do que para o público em geral. Em tempos li que a História tinha que ser revista periodicamente, tendo-me nessa altura começado a aperceber que a História é a perspectiva que as gerações do presente têm do passado e que a visão que se tem se vai alterando, não só pelos factos que se ignoravam e que foram descobertos como pelo maior ou menor interesse que cada face da realidade vai tendo para quem vive no presente.

Em casos mais extremos, por exemplo como aconteceu na Rússia em que os governantes apagaram das fotografias as imagens de dirigentes caídos em desgraça, na Alemanha nazi em que se queimaram livros ou noutros países, como na China durante a Revolução Cultural, de onde se dizia que “na China o passado é imprevisível” existe também a tentativa de alteração dos registos do passado pelos poderes do presente. George Orwell escreveu magistralmente sobre isso no romance “1984”uma tentativa parcialmente bem sucedida de vacina contra regimes totalitários.

Mas mesmo sem estes casos extremos convivo actualmente muito bem com o pensamento de que “o nosso conhecimento futuro do passado é imprevisível” que por vezes se abrevia para “o passado é imprevisível”.

O nosso conhecimento dos Descobrimentos Portugueses é perturbado pela aplicação do segredo que as autoridades usavam para impedir o acesso dos concorrentes potenciais às terras onde existiam as mercadorias valiosas, para não falar da contra-informação também usada pelos portugueses para induzir em erro a concorrência.

Abrangido pelo segredo estava naturalmente o conhecimento geográfico que se traduzia em mapas que por vezes eram roubados por entidades externas de que um dos melhores exemplos é este mapa designado “Planisfério de Cantino




“obtido clandestinamente em Portugal em 1502” e enviado para Itália  onde se encontra actualmente.

Outro suporte dos descobrimentos foi a caravela,


uma embarcação desenvolvida em Portugal a partir dos barcos mouros de pesca, bem adaptada para as viagens de exploração do oceano pela sua agilidade na progressão contra o vento e cuja venda a estrangeiros esteve proibida pelo rei.

Depois de falar sobre os (des)conhecimentos geográficos e civilizações do final da Idade Média, designadamente as Ameríndias, as dos Berberes, da África Negra, do Islão e do seu domínio do comércio de longo curso com a Índia e a China a obra aborda o papel importante que teve a Ordem dos Franciscanos na reabertura do Cristianismo ao mundo, trocando o ideal do asceta vivendo enclausurado num mosteiro preparando-se para a vida eterna pelo ideal de viver fora do claustro levando o exemplo de Cristo ao povo e aos infiéis, traduzindo no nível religioso a mudança de uma economia fechada para uma economia mercantil. Nas caravelas costumava ir sempre um franciscano.

2017-05-11

Divórcio instantâneo de muçulmanos na Índia



O homem diz "talaq, talaq, talaq" e o divórcio está consumado diz neste artigo da BBC News que esta tradição entrou na lei indiana em 1937.

Aguardo com curiosidade o que dirá o tribunal depois de ouvir o comité com um representante Hindu, um Sikh, um Cristão, um Zoroastriano e um Muçulmano. Que será feito dos Jain?

Pela minha parte considero que a lei deve dar suporte a estas associações entre seres humanos fazendo alguma regulação na tutela dos filhos, na partilha e na transmissão de propriedade.

E como já disse aqui partilho a antipatia do Amartya Sen pelo multiculturalismo. 

Se calhar vão dizer que se a mulher disser "qalat, qalat, qalat" anula o efeito do "talaq, talaq, talaq" e em português até faria foneticamente sentido.

2017-05-09

Trajectos das Aves - Iskiografia


Vi no blog da Helena Araújo umas curvas sobre azul que me intrigaram, como esta




ou esta


 São "Iskiografias" das trajectórias de aves voando que revelam curvas muito belas, que podem ser vistas neste sítio do Lothar Schiffler, onde tem este "making of" que me reenviou para este filme na Vimeo:






2017-05-04

Os Descobrimentos Portugueses e os Painéis de Nuno Gonçalves


Ando há imenso tempo a ler a obra do Jaime Cortesão “Os Descobrimentos Portugueses” na versão publicada pelo jornal Expresso já no ano de 2016. Neste caso a razão do grande tempo de leitura é instrumental pois dado o pequeno tamanho de cada um dos volumes tenho reservado a respectiva leitura para os tempos de espera no dentista e em alguns outros locais onde é preciso esperar, tendo-se dado o caso que os tempos de espera têm sido felizmente curtos.

Estou agora quase a terminar a leitura e farei depois do fim mais algumas considerações sobre a obra. Uma das características que me desagradou foi o desfasamento entre o grau de detalhe em que eu estava interessado e o que era oferecido no livro, “obrigando-me” a saltar algum texto, o que não gosto de fazer com receio de perder algo que seja importante.

Um dos temas que me pareceu ser abordado de forma excessivamente longa foram os Painéis de S.Vicente a que dedicou 54 páginas, da pág. 623 à 677! Bem sei que estes painéis da autoria de Nuno Gonçalves, reencontrados na igreja de S.Vicente de Fora nos finais do século XIX, foram objecto de muito longas discussões quer sobre a sua autoria quer sobre a sua data.

Neste artigo da Wikipédia dá notícia que não existem actualmente dúvidas nem sobre o autor nem sobre a data que se pensava ter sido entre 1470 e 1480 mas que agora se considera ter sido 1445, baseado numa inscrição ao pé da assinatura e numa análise de dendrocronologia.

Existem várias imagens de boa qualidade (como habitualmente na Wikipédia) disponíveis no artigo que refiro acima, de onde tirei esta



Tinha alguma antipatia por quadros antigos, talvez como reacção à preferência preconceituosa das pessoas minhas próximas pelas coisas antigas, como se o facto de algo ter sido feito há mais tempo fosse sinal de qualidade. Talvez também aquelas vestimentas tão pouco práticas  e o excesso de temas religiosos me afastasse destas pinturas. Agora já lhes acho mais graça.

Na dificuldade de seleccionar uma parte do texto das 54 páginas dedicadas por Jaime Cortesão a esta obra fui ver o que dizia dela a “Larousse Encyclopedia of Art and Mankind”, da HAMLYN, coordenada por René Huyghe, no volume “Renaissance & Baroque Art”, uma obra que, embora volumosa abrange arte de todos os países da Europa durante os séculos 15 a 18, o que obriga a economia de palavras sobre cada obra em destaque.

Neste caso, sobre os painéis de São Vicente, Adeline Hulftegger diz o seguinte (arrisquei traduzir):
«
... no terceiro quartel do século 15 o génio de um homem colocou a pintura portuguesa no topo. Embora não se conheça a exacta origem do seu estilo, sabe-se que Nuno Gonçalves foi influenciado directamente pelo realismo flamengo, que chegara a Portugal com a viagem de Van Eyck a Lisboa em 1428. A mestria de Nuno na forma escultórica e na composição monumental, combinada com um sensibilidade decorativa rara enraizada na tradição da tapeçaria, assim como a beleza das suas cores quentes realçadas por tons frios contrastantes, teriam bastado para lhe atribuir uma posição importante na pintura, mesmo sem considerar o talento raro de retratista que penetra além da aparência exterior. As figuras fortemente caracterizadas no Políptico de S.Vicente(Lisboa), que vibram com uma vida interior afectada por alguma tristeza, revelam a nova importância que era atribuída ao indivíduo. Nisso, assim como no tratamento amplo e naliberdade da composição – absolutamente sem igual até aos tempos modernos – o trabalho de Nuno Gonçalves chega muito para além dos confins da arte medieval. Quando no tempo do rei D.Manuel, sob a égide dos pintores de Antuérpia, a pintura portuguesa ficou mais brilhante e as suas cores mais refinadas, ainda estava imbuída desta mesma melancolia subtil e às vezes deste mesmo calor humano.
»

Mas na sua ânsia de contribuir para a datação dos painéis, Jaime Cortesão recorre mesmo à moda dos tempos, hábitos efémeros que nos podem ajudar a datar algumas imagens. Neste caso cita “Le costume en Bourgogne de Philippe le Hardi à la mort de Charles le Téméraire (1364-1477)” por  Michèle Beaulieu e Jeanne Baylé.

Chegado aqui interroguei-me como teria chegado a Portugal a moda da Borgonha, numa altura em que ainda não existiam estas rápidas viagens de avião. Além de D.Afonso Henriques ser da linhagem duma anterior dinastia da Borgonha, o próprio Van Eyck trabalhava para o Duque da Borgonha, tendo vindo a Portugal em 1928 precisamente para retratar a princesa Isabel numa perspectiva de acertar um casamento com o Duque da Borgonha que se veio a concretizar. E Jaime Cortesão chamou a atenção para o decote relativamente generoso (para a época) da dama do chamado Painel do infante que mostro a seguir



decote que ele citou como “fenêtre du diable”, designação que achei engraçada, se bem que sexista.

Em tempos ouvi outra classificação de decotes, designados pelo termo “decote até ao filho” em que “filho” era o local do corpo onde tocava a mão da crente quando pronunciava essa palavra enquanto se benzia dizendo “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Seria por exemplo este decote da Marylin Monroe



Por coincidência temporal, a cidade de Lisboa foi actualmente invadida por cartazes mostrando a Irina Shayk anunciando um novo soutien da marca Intimissimi, adequado para decotes ainda mais ousados como se vê na imagem


Trata-se ainda de outro tipo de Descobrimento.


2017-04-30

Sarampo e vacinas


Este post é a continuação do anterior, onde falei de como este surto de Sarampo em Portugal me fez tomar conhecimento de que essa doença tinha sido erradicada do país.

A minha posição sobre vacinas era simples. Se existe uma vacina contra uma doença deve-se tomá-la para evitar ficar doente mesmo sabendo que numa percentagem muito pequena de casos as vacinas podem causar alguns problemas. E naturalmente quis também que os meus filhos tomassem todas as vacinas na altura consideradas como adequadas.

A minha decisão de tomar uma vacina tinha um fundamento individual, ao tomar uma vacina ganhava imunidade a uma ou mais doenças e não entrava em consideração com o que agora ouvi chamar “imunidade de grupo“.

Fiquei algo embaraçado por não  me ter apercebido há muito mais tempo que a consequência normal da vacinação sistemática da população de um país contra uma dada doença é a diminuição da ocorrência dessa doença e a sua eventual erradicação dessa população ao fim de alguns anos.

Diria que este tipo de evolução, em que existe uma melhoria lenta que se desenrola num periodo que por vezes se estende por décadas, não suscita o mesmo interesse num jornal diário ou semanário que os desastres ou epidemias súbitas. Para este tipo de informação é melhor consultar documentos específicos como por exemplo:

1) ACTUALIZAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE VACINAÇÃO: PNV 2017

de onde retirei a tabela resumo das doenças contempladas nos sucessivos Programas Nacionais de Vacinação


1
Erradicada
 

5
Eliminadas
 

7
Controladas 
 

?
Expectativas
 
Varíola
Poliomielite, difteria, sarampo, rubéola e tétano neonatal

Tétano, N. meningitidis C, H. influenzae b, hepatite B, parotidite epidémica, tosse convulsa, tuberculose
 
Controlo do cancro do colo do útero (HPV) e S. pneumoniae

e os gráficos seguintes:





2) PORDATA



onde se constata que a Tuberculose é uma doença mais difícil de erradicar.

Talvez dada a minha lamentável ignorância (até agora) da imunidade de grupo vejo mais a resistência às vacinas como um receio compreensível, se bem que pouco razoável, dos possíveis efeitos nefastos de tomar uma vacina. Embora objectivamente os não vacinados estejam a beneficiar dos pequenos riscos da maioria da população que se vacina e da correspondente imunidade de grupo, por outro lado estão a correr o risco de serem vítimas da doença que pode sempre ser importada de países onde a doença não tenha sido erradicada.

Dados os bons resultados do Plano Nacional de Vacinas e a imunidade de grupo satisfatória que se tem conseguido em Portugal sem obrigatoriedade inclino-me para seguir a opinião que, pelo menos enquanto a taxa de cobertura for adequada, não será necessário tornar a vacinação obrigatória.

2017-04-23

Sarampo e outras notícias


Fiquei fascinado na Universidade quando aprendi que existiam técnicas de medição de quantidade de informação, algo que eu considerara até então muito difícil de quantificar.

A técnica consiste em considerar que quando existiam vários eventos possiveis de acontecer e se conhecia a probabilidade de ocorrência de cada um deles, um receptor recebia mais informação quando notificado da ocorrência de um evento menos provável do que quando notificado da ocorrência de um evento mais provável, sendo proposta uma função matemática para transformar cada valor de probabilidade num valor de quantidade de informação.

Esta técnica foi desenvolvida por Claude Shannon (1916-2001), um americano com formação em Matemática, Engenharia Electrotécnica e Criptografia, que publicou em 1948 o artigo "A Mathematical Theory of Communication" um marco fundamental na revolução digital do século XX que ainda hoje vivemos.

Antes desse artigo existiam várias técnicas empíricas de optimização de canais de transmissão de informação, por exemplo no código Morse a letra “e” que é a letra que ocorre com mais frequência na língua inglesa era transmitida com apenas um ponto (sinal sonoro curto) enquanto o “s”, menos frequente, era transmitido com 3 traços (cada traço é um sinal sonoro longo) mas não havia forma de avaliar a distância que um dado código estava da codificação óptima nem a capacidade máxima de transmissão de informação de um dado canal, o que agora é referido de forma prosaica nos contratos dos operadores de telecomunicações como bits/segundo ou Megabits/segundo.

Claro que esta quantificação, se bem que importantíssima na indústria das telecomunicações e dos computadores, não tem uma aplicação imediata nem na vida quotidiana nem no jornalismo dado que quando nos comunicam uma notícia normalmente não fazemos ideia de qual a probabilidade de ocorrência desse evento.

Mesmo assim facilita a discussão da frase muito citada que "uma notícia não é um cão ter mordido um homem, a verdadeira notícia é um homem ter mordido um cão". A minha discordância com esta frase tem vindo a aumentar, trata-se de dar preferência à quantidade de informação em detrimento da sua qualidade, adequado para “Jornais do Incrível” ou para colecções inúteis de ocorrências insólitas. Existem constantemente ocorrências de muito baixa probabilidade que são muito irrelevantes para a maioria dos leitores, basta pensar nos bilhetes premiados das lotarias que saem com grande frequência e o senso comum tem evitado que esses eventos de baixíssima  probabilidade constituam títulos de primeira página.

Com o tempo tenho-me vindo a aperceber que existem esquematicamente dois mundos, o mundo negro dos media e o mundo cor-de-rosa das comunicações sobre actividades:
- o mundo negro dos media resulta do excelente argumento de venda de revelar um perigo que nos ameaça e do que se pode fazer para o evitar ou minorar, o jornalista assume muitas vezes o papel de “iluminado”, criticando as decisões que vão sendo tomadas pelos responsáveis pela resolução de variados problemas;
- o mundo cor-de-rosa é o que aparece por exemplo nos relatórios de actividade das empresas ou em artigos de carácter técnico-científico, em que se relatam progressos obtidos pelos autores;

Uma consequência típica destas distorções é a omissão de eventos relevantes mas que não se encaixam bem na “linha editorial” do emissor de informação.

Por exemplo, antes da crise financeira grave que deflagrou em 2008, as posições relativas da Grécia e de Portugal em várias estatísticas iam-se alterando, umas vezes estava Portugal à frente, outras vezes a Grécia. Os jornais diziam-nos de vez em quando que Portugal tinha sido ultrapassado pela Grécia mas raramente ou nunca que Portugal tinha ultrapassado a Grécia, condição indispensável para poder ser depois ultrapassado.

Outro exemplo curioso no sentido contrário, de omissão de notícias desagradáveis, era o livro de História do ensino secundário, em que apareciam as datas de conquista e de reconquista de Alcácer do Sal mas em que se omitia a data de perda, indispensável para se poder reconquistar.

Vem toda esta conversa a propósito do surto de Sarampo que ocorre agora no nosso país, assunto grave que me deu finalmente a oportunidade de tomar conhecimento que, devido aos continuados e bem sucedidos esforços de aplicação da vacina contra esta doença, não ocorreram casos de sarampo em Portugal desde 2015 até este surto importado em curso.

No jornal Diário de Notícias de 2016-09-18 consta uma excepção ao que acabo de escrever umas linhas acima, com informação muito interessante sobre 7 doenças que deixaram de ser endémicas em Portugal e que são: malária, varíola (esta ao nivel mundial), poliomielite, difteria, raiva humana, rubéola e sarampo!

Em 2015 foram comunicados 4003 casos de sarampo na Europa, segundo a distribuição do mapa



onde se constata ausência de casos de sarampo nesse ano em Portugal. Os números elevados na Alemanha, Áustria, Croácia e Itália fazem pensar na passagem de migrantes originários de países em que a vacinação será fraca ou inexistente.

Na altura da erradicação da varíola a nível mundial, o progresso da actividade de erradicação foi amplamente noticiado, o último caso conhecido foi o de um homem na Somália em 1977, tendo a doença sido declarada como totalmente erradicada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 1980.

A vacina contra a varíola foi descoberta pelo médico inglês Edward Jenner em 1796. Segundo  a Wikipédia era uma doença mortal entre 10% e 50% dos casos. Em 1803 a coroa espanhola organizou uma expedição para vacinação geral nas colónias da América e nas Filipinas. Nos E.U.A aprovaram lei em 1813 para que a vacina estivesse disponível para o público em geral. Em Inglaterra a vacinação passou a obrigatória em 1853 enquanto nos E.U.A. foi ficando obrigatória nos vários estados entre 1843 e 1855.

O livro “A Imperatriz Viúva” refere que o imperador da China Tongzhi, nasceu em 1856 e morreu em 1875 de varíola, o que dá uma ideia do atraso que a China tinha então em relação ao Ocidente, em que nem o imperador estava protegido contra uma doença cuja vacina já era obrigatória em Inglaterra e nos E.U.A.

Em Portugal, a vacinação variólica inicia-se em 1894 permanecendo  obrigatória até 1977 e as vacinas do tétano e da difteria iniciaram-se com carácter obrigatório em 1962.


Escreverei mais sobre este tema num futuro post.

2017-04-21

Especularista



Vi no Wikcionário que o sufixo -ista tem frequentemente um sentido pejorativo, como em comunista, capitalista, etc.




Com as recentes suspeitas sobre as intenções do atentado de 11/Abr/2017 contra o autocarro do Borussia Dortmund onde se diz que a polícia alemã acusou um cidadão com nacionalidades alemã e russa de ter executado o ataque à bomba para ganhar dinheiro com a queda, que o atentado provavelmente provocaria, da cotação das acções do mencionado clube de futebol, deveríamos usar o neologismo "especularista" para especulador fundamentalista?



2017-04-15

O pintor acidental


Um dos passatempos possíveis para quem dispõe de bastante tempo livre é dedicar-se à pintura, uma actividade que exige normalmente dedicação para se obterem resultados satisfatórios.

É também uma forma de aprender a olhar à nossa volta e ver detalhes que até então nos tinham passado despercebidos, sobretudo quando se envereda pela pintura figurativa.

É ainda uma forma de valorizar a pintura dos mestres, revelando-nos melhor o esforço e o talento que as obras famosas revelam.

Quando passei pelo liceu fiquei desapontado com os professores da disciplina de "Desenho" (que incluía pintura) pois em vez de ensinarem técnicas de desenho e de pintura e avaliarem a aprendizagem dos alunos ensinavam pouco e limitavam-se a avaliar o talento de cada um.

Noutro dia recebi esta imagem num power-point


Trata-se de um quadro dum pintor americano chamado Daniel Gerhartz que além de pintar se dedica ao ensino da pintura conforme se constata aqui.


2017-04-05

Zero




Li com gosto este livro que me emprestaram sobre o número Zero que foi usado de  forma explícita pela primeira vez pelo matemático indiano Brahmagupta (c. 598 –  >665), que viveu depois de Aryabhata, o primeiro a usar a notação posicional dos números com a base decimal.

O autor não me convenceu completamente do horror (poderia tratar-se apenas de uma antipatia moderada) que os gregos tinham pelo zero mas convenceu-me da grande anomalia de não existir um ano zero no nosso calendário.

O livro descreve com elegância os alargamentos sucessivos dos conceitos de número, desde os naturais aos complexos e da forte relação do zero com o infinitamente grande e o infinitamente pequeno.

Ao longo da história da ciência existiram sempre dificuldades só ultrapassáveis com o aparecimento de novos conceitos que muitas vezes trouxeram consigo novos problemas.

Neste livro tive um primeiro contacto com o efeito “Casimir”, nome de um físico holandês que previu em 1948 que duas placas metálicas electricamente descarregadas colocadas num vácuo de atrairiam quando colocadas muito próximas, à distância uma da outra de poucos diâmetros atómicos, devido a efeitos quânticos. O efeito foi medido experimentalmente em 1997

2017-04-04

Notícias falsas



A mentira é o preço que temos de pagar por sermos capazes de imaginar um mundo diferente daquele em que temos vivido.

Por isso a maior parte das crianças aprende que não se deve mentir, pois numa sociedade em que a mentira seja frequente falta a confiança, um dos principais motores do desenvolvimanto económico.

Reservar um dia como por exemplo o 1º de Abril para dizer mentiras ou as partidas do Carnaval, que assumem muitas vezes também a forma de mentira, são formas de libertar o exercício de um potencial dos seres humanos.

Quando fiz o serviço militar obrigatório nos anos 70 em Mafra fui surpreendido pela quantidade enorme de boatos (nome vernáculo das actuais “fake news”) que fervilhavam naquela comunidade de umas centenas de recrutas relativamente isolada do mundo exterior. Tratava-se na maioria dos casos de informações inventadas sobre a possibilidade de sair do quartel, sobre a natureza das actividades que nos esperavam e outros detalhes do quotidiano do próximo futuro.

Tenho-me interrogado muitas vezes sobre a razão de existirem tantos boatos e agora que estou a escrever sobre esse mistério começo a perceber que em parte se deviam à falta de informação credível sobre o que nos esperava no futuro. Numa hipótese benigna essa falta de informação era intencional por parte das hierarquias militares encarregues da nossa formação, para nos habituarmos a viver num ambiente de incerteza típico das guerras, em que o inimigo não tem normalmente a gentileza de nos revelar as suas intenções. Numa hipótese menos benigna era simples falta de consideração pelos recrutas. A presença de perguntas sobre o que nos reservava o futuro era um estímulo para inventar futuros possíveis.

Há uns anos vi um folheto com um óptimo aspecto gráfico cheio de disparates. Nessa altura apercebi-me que enquanto anteriormente a qualidade gráfica era tão dispendiosa que o que era publicado com qualidade gráfica era objecto de muitas revisões sobre a informação transmitida, agora já não podia basear-me na qualidade gráfica para certificar a qualidade da mensagem.

A internet praticamente anulou o custo de tornar pública uma dada informação. Ficámos com a possibilidade de aceder a um conjunto de informações valiosas com uma velocidade enorme, face ao que era possivel anteriormente. Mas o facto de a informação estar muito difundida (ser viral) que antigamente era quase uma certificação de veracidade, deixou de ser uma base certa de verosimilhança.

Resumindo, as técnicas de validação de informação continuam a ser necessárias mas as que eram usadas antigamente perderam boa parte da sua eficácia, sendo necessário usar novas técnicas mais adaptadas às novas possibilidades. E se calhar existem muitos boatos porque as informações mais oficiais ou são inexistentes ou pouco credíveis.

Como curiosidade deixo aqui uma foto da Biblioteca da Holland House em Londres, depois de um bombardeamento em Setembro de 1940.



Li na Wikipédia a história da Holland House.

Li algures que a fotografia foi encenada, para dar a ideia que mesmo depois dos bombardeamentos a “vida normal” podia continuar e que a publicação da fotografia foi autorizada pela censura aos meios de comunicação social que existiu durante a guerra.

Depois passei por este texto  da Southern Illinois University de que gostei e de que transcrevo parte:

«The photograph provides an image of the fetishization of the text, or document, of the ways in which history attaches itself, not to the social disturbances and crises surrounding it on all sides, but to the ruins of the past, and even more so, to the orderly archive of the narratives of those ruins. In that austere repository of the bound volumes of fabula and historia -- the library -- the scholar seeks the world of lived human experience but encounters instead one of its chief symptoms -- writing.»

A força da imagem vem também da possibilidade de verosimilhança da situação. A atracção pela palavra escrita leva por vezes as pessoas a alhearem-se da realidade que as rodeia. Antes com os livros, agora com os tablets.

2017-03-28

Yayoi Kusama


Noutro dia, procurando imagens na Internet, passei por esta de que gostei


Suponho que se intitule "Aftermath of Obliteration of Eternity" de uma série "Infinity mirror rooms", obra da artista japonesa Yayoi Kusama. Suponho que fui atraído pelas luzinhas na noite escura, pela linha do horizonte e pelo ponto de fuga central, estilo buraco negro. Faz lembrar as imagens nocturnas de Los Angeles mas com um céu mais iluminado.

Fui depois ver a entrada da Wikipedia, na versão inglesa fala mais da obra, a versão portuguesa tem informação complementar, focada sobre a vida psíquica da artista. Nasceu no Japão em 1929, viveu em Nova Iorque de 1957 a 1972, tendo depois regressado ao Japão onde tem vivido desde então.

Ao ver mais algumas obras dela tive uma sensação de "déjà vu" e confirmei que tinha guardado no meu PC esta imagem desta artista



que o João Pinto e Castro mostrara no ...bl-g- -x-st-  num post de 2008-02-01, atribuindo o título "Fear of Dots".

Ainda no mesmo Blogo-existo vi que existia um post de 2008-01-31 intitulado "Yayoi Kusama: Infinity Nets" em que a imagem não estava acessível.

Procurando no Google Images (Yayoi Kusama, Infinity nets) cheguei a esta imagem daqui

 

que me fez lembrar cracas (barnacles) desta foto


depois vi esta imagem aqui


que me lembrou uma variante (mais regular) duma janela iraniana de Isfahan




2017-03-21

Índice de posts sobre o Irão


Em Abril/2010 visitei o Irão que foi fonte de muitos posts deste blogue. Como não tenho um plano para publicar posts, não tenho praticamente usado palavras-chave e neste tema "Irão" os posts podem estar separados por grandes espaços de tempo, pensei que poderia ser útil fazer uma tabela-índice com todos os posts em que referi o Irão até esta data, com a data e o título do post e respectivo link, uma ou duas frases sobre o conteúdo e uma das imagens nele mostrada.



2010-05-07 Geometria

Esta foi uma das razões para visitar o Irão, as maravilhosas decorações geométricas das suas mesquitas.

Imagem de mesquita em Shiraz.

2010-05-10 Geometria em Yazd

Imagem de mesquita em Yazd

2010-05-13 A produtividade dos trabalhadores

Neste caso aproveitei uma imagem que tinha tirado no Irão, em Portugal também existem situações destas, em que a baixa produtividade se deve à falta de investimento, à preguiça dos investidores e não dos trabalhadores.




2010-05-17 Competitividade

Aqui queria ilustrar que a competitividade duma nação não se mede apenas pelo número de horas de trabaho. Se o tráfego é mal gerido perde-se muita competitividade, como neste engarrafamento em Teerão e nos que existem em Portugal.


2010-05-18 Separação

Há separação de sexos nos transportes públicos iranianos. E um código de vestuário excessivamente limitador para as mulheres. Talvez exista também para os homens mas então será pouco obrigatório. Cores no Irão é mais nos canteiros dos amores-perfeitos...


2010-05-22 Meninas

Os tchadores ubíquos lembraram-me o quadro de Velasquez "As meninas" que por sua vez me lembrou umas meninas iranianas ainda sem véu numa excursão em Shiraz.



2010-05-24 Moda em Teerão

Aqui mostro a minha surpresa pela abundância de lojas de roupa masculina numa rua de Teerão. Uma amiga disse-me que em Estrasburgo, por causa da predominância do sexo masculino no Parlamento Europeu, também existiam ruas que quase só tinham lojas de roupa para homem.



2010-05-27 Geometria em Yazd - 2

Regresso à geometria em Yazd.

Entretanto apercebi-me agora que alguns padrões geométricos (os quadrados da primeira imagem) são afinal formas de caligrafia como referem neste sítio sobre a Caligrafia Kufi Quadrada.



2010-06-01 Geometria em Yazd - 3 (e último)

Mais alguns exemplos de mosaicos maravilhosos.



2010-06-15 Moda em Shiraz

Em Shiraz também nas ruas havia um predomínio de lojas de roupa masculina. A exposição dos artigos é pouco habitual para um europeu.



2010-07-01 Biscoitos persas

Os tabuleiros de biscoitos têm arranjos geométricos primorosos.



2010-07-13 Gerar formas de mosaicos com o Microsoft Excel

A ideia era obter formas "puras" evitando as imperfeições inevitáveis dos mosaicos de cerâmica como o que está aqui ao lado.

Acabei por me limitar a reproduzir o centro do mosaico, ficando o resto para as calendas.



2010-07-28 Captadores de vento

«
Uma das coisas que eu tinha curiosidade de ver ao vivo no Irão eram as torres para captar o vento (badgirs), referidas em muitos artigos sobre arquitectura bem adaptada ao clima, como estas que vi em Yazd, uma cidade no deserto, como a maioria das cidades no Irão, país que me pareceu ser um arquipélago de oásis.
»



2010-07-29 Arrefecendo o ar


Na actualidade as torres de captação do vento do Irão devem ser caras e pouco eficientes, face aos modernos aparelhos de ar condicionado, como a figura indicia.





2010-07-30 As pontes de Isfahan

A água é preciosa em todo o lado, ainda mais no Irão. Este rio tem um caudal médio de 38m3/s, o nosso Mondego de 108 m3/s, o Douro 714 m3/s.



2010-07-31 Ainda a ponte de Khaju

No Irão apreciam a sombra.



2010-08-03 A ponte mais bela do mundo

Era o que dizia na minha colecção de cromos das Maravilhas do Mundo. 



2010-08-06 A ponte dos 33 arcos em Isfahan

Onde as pessoas vão tomar fresco.



2010-08-19 Lapidação

Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada no Irão à morte por lapidação. Depois de estar no corredor da morte durante 9 anos foi perdoada e libertada em 2014 segundo informação da Wikipédia. Desta vez a campanha das associações pelos direitos humanos foi bem sucedida.



2010-08-31 Pena de morte

Depois da China o Irão era o país com maior número de execuções per capita no ano de 2009



2010-10-24 Geometria em Alqueva

Interior da central fez-me lembrar o Irão



2010-10-29 Confusão e prato de Isfahão


«...
Mas o que realmente me surpreende é a existência de um conjunto de movimentos que possibilitam um desenho estável desta complexidade. Existem provavelmente formas de desenhar estas curvas que evitam que degenerem em padrões abatatados e que as formas respeitem esta divisão em 8 sectores. Acho que terei que revisitar Isfahan para ver como é que se faz pois sinto-me completamente incapaz de fazer um desenho destes.
...»



2010-12-07 A praça Naqsh-e-Jahan em Isfahan e outras praças

Comparei as dimensões desta praça com o Terreiro do Paço e outras praças da Europa e da Ásia

2010-12-12 Qibla

Fui verificar no Google Earth se uma mesquita de Isfahan estava alinhada com a direcção para Meca.



2010-12-19 Mesquita do Xá em Isfahan

«
Uma forma fácil de arranjar imagens menos comuns é fotografar lugares pouco frequentados pelos vizinhos, embora assim se corra sempre o risco de transformar um blogue de imagens com texto num blogue de viagens. Mas a mesquita mandada construir pelo Xá Abbas em Isfahan vale bem esse risco.
»



2010-12-22 Mesquita do Xá em Isfahan - 2

Deslumbrante!




2011-01-10 Mesquita do Xá em Isfahan - 3 




2011-02-15 Pessoas de Isfahan

... que poderão ter corrido perigo de vida...



2011-02-16 Janela de Isfahan

Análise da estrutura do desenho



2011-02-20 Janela de Isfahan - 2

Fazendo crochet com o Excel, que não serve apenas para os economistas falharem as previsões.



2011-03-17 O Fogo

Um fogo que se alega arder há mais de 1500 anos num templo da fé de Zoroastro em Yazd no Irão.

2011-03-28 Moda em Shiraz e em Yazd

A certa altura descobri que nos bazares existem vestidos muito coloridos para as mulheres, que muitos manequins nas montras não têm cabeça e que as mulheres trabalham à noite em restaurantes.



2011-09-13 Buracos em Lisboa e noutros sítios(em Isfahan)

...que andavam à procura de um grande tesouro mas que ainda não o tinham encontrado.

2011-09-14 Isfahan - Jameh mosque

"Jameh" significa congregação, nas cidades iranianas a Jameh mosque, a mesquita em que as pessoas se reuniam em maior número, costuma ser a maior e mais antiga.

2011-12-22 Firooz Zahedi

Onde reconheci os olhos da Elisabeth Taylor e fui dar ao túmulo do poeta Hafez, na cidade iraniana de Shiraz


2011-12-30 Túmulo do poeta Hafez (1315-1390) em Shiraz

Onde os visitantes lêem poemas ao pé do túmulo do poeta

2012-01-05  Quase-cristais e os mosaicos persas Girih

De artigo da BBC Science & Environment

2013-04-17 Mosaicos de espelhos

No Rajasthan e em Isfahan

2013-12-03 A Rota do Azulejo

Uma peça de cerâmica do Irão numa exposição da Fundação Calouste Gulbenkian.

2014-11-11 Imagens que chamam a atenção

Ou o cabelo a assomar por baixo do véu.


2016-06-09 Kilim e outros padrões




2016-01-08 Cristobal Vila e M.C.Escher

Este post refere-se indirectamente ao Irão através de uns vídeos extraordinários.


Vídeo de Cristobal Vila sobre Isfahan



Animação sintética inspirada pela arquitectura de Isfahan