2016-09-27

Um Mar Algarvio


Não é para mim adequado procurar um nirvana neste planeta. Mas de vez em quando sabe bem contemplar uma paisagem tranquila como este mar do Algarve, fotografado em Setembro, às 12:47, menos de uma hora antes do meio-dia solar


Quando tirei a foto estava com uns óculos polarizadores pelo que os reflexos do Sol apareciam mais discretos.

Na altura parecia-me que a imagem teria "apenas" dois azuis, embora fosse evidente que existia um gradiante de azuis no céu. Seria assim um contraponto ao quadro azul que comentei em tempos.

Ao ver a foto achei que os padrões variados lhe davam mais vida. Hesitei em manter os pequenos tufos de plantas no bordo inferior da imagem mas depois achei que ficariam bem para mostrar que se tratava de uma visão a partir da terra.

A linha do horizonte fez-me pensar que talvez se aproximasse uma nave extra-terrestre emitindo grandes quantidades de luz como no filme do Spielberg.

E ao ver a linha do horizonte tão parecida com uma recta perfeita pensei também no Óscar Niemeyer e na sua afirmação, num momento mais distraído, em que dizia que na natureza só existiam linhas curvas.

Contemplar o mar parece-me bastante melhor do que ouvir algumas discussões da Assembleia da República.

Os debates no Parlamento podiam (e deviam) ser melhores


Gostei deste texto coloquial do Ricardo Marques do Expresso que resume bem uma parte da sessão de 5ª feira da semana passada:

«
...
O debate no Parlamento podia ter sido diferente? Podia, mas ainda não foi desta. Ontem, durante boa parte da tarde, os partidos e o Governo estiveram entretidos a discutir quem aumenta mais impostos, quem aumenta mais pensões, quem defende mais os que tem menos e quem ataca mais os que tem mais.

A culpa é tua, eu é que sou bom. Não, a culpa é tua e o bom sou eu. Tu és mau, queres fazer mal às pessoas e às famílias. Tu és pior, muito pior e também fazes mal às empresas. Eu baixei os impostos, tu subiste. Eu? Eu baixei mais do que tu e tu é que sobes. Eu não sou como tu. Como tu é que eu não sou.
...
»


2016-09-26

A praia em Setembro


Nos tempos de estudante costumava passar 2 meses de férias na  Praia da Rocha, que muito apreciava para conversar, conviver e pôr a leitura em dia, e que com pena me vi forçado a reduzir para apenas um mês, quando iniciei actividade profissional. Nessa altura o meu período preferido ia de 15 de Agosto a 15 de Setembro, começando por um tempo normalmente mais quente e com uma segunda parte já em transição para o Outono.

Era comum no Algarve ocorrerem um ou dois dias com uma chuvinha regressando depois o bom tempo. Depois da chuva o ar ficava mais transparente, talvez por a poeira ter assentado, e era mais agradável apanhar uns banhos de sol que já não era tão opressivamente quente. O senão era que os dias já eram mais pequenos.

Com o começo das aulas cada vez mais cedo a possibilidade de gozar dias de férias em Setembro foi-se reduzindo. Felizmente neste ano tive a oportunidade de regressar ao Algarve na 3ª semana de Setembro, depois de uma chuvinha ligeiramente atrasada no final da 2ª semana, e consolei-me com o que me pareciam os dias maravilhosos de Setembro de antigamente, numa praia ainda frequentada mas muito mais calma:


2016-09-15

O Verão ainda não acabou


Ao contrário do que parece esta chuvinha que caiu há poucos dias mais a que se anuncia para o fim desta tarde é apenas a chuvinha habitual da transição de Agosto para Setembro que este ano se atrasou uns 15 dias.

Ontem o céu no Parque das Nações estava bastante dramático (lembrou-me "L'empire des lumières" do Magritte) como há tempos que não se via


mas o tempo vai voltar a aquecer, para finalizar o Verão de forma condigna.


2016-09-13

Leques japoneses



Quando fui passear ao Japão em 2014 encomendaram-me uma “Bento box” ou “caixa bento”, uma lancheira usada no Japão em que o modelo clássico é do género desta caixa com divisórias colocada sobre um tabuleiro com uma tigela de sopa ao lado, conforme se vê na  figura que fui buscar à wikipedia aqui.


Em Kyoto procurei na internet por Bento Box e encontrei a firma “Bento&co.” com uma loja nessa cidade anunciada aqui.

Usei o Google Maps para ver como poderia lá chegar por transporte público e o trajecto incluía tomar o metro, de uma limpeza notável


andar um pouco na avenida Karasuma Dori


(via em que aquele edifício com cobertura verde-clara faz lembrar a Escandinávia, se constata que a circulação se faz pela esquerda, influência provável do império Britânico, que os sinais luminosos para o trânsito têm as lâmpadas em fiada horizontal em vez de vertical como no Ocidente)

e tomar mais à frente a transversal Rokkaku Dori (Dori deve querer dizer “Rua”, larga ou estreita).

Uma das transversais da Karasuma Dori que acabo de mostrar tinha este aspecto, onde me chocou a infraestrutura de distribuição de electricidade



e uns transformadores no alto dum poste colocado numa rua


São por exemplo estas coisas que nos levam a dizer, “na Europa não é assim”, tomando consciência que existem realmente características comuns a todos os países europeus que não se encontram noutras partes do mundo. Esta confusão das instalações eléctricas é tanto mais surpreendente quanto o Japão tem um gosto por organização e disciplina que na Europa parece quase obssessivo. Fiquei a pensar se seriam razões técnicas, económicas ou sociais/culturais/políticas que estariam na origem desta situação.

E retomando o percurso virámos na Rokkaku Dori. Encontrei no Google Earth esta vista de rua que mostra a entrada de uma loja de leques que não resistimos a visitar.


O padrão que mostro a seguir é recorrente no Japão,


umas vezes representa escamas de peixes, outras as ondas do mar, calçadas, às vezes mesmo zínias, desta vez deve ter sido escolhido por poder também representar uma multidão de leques.

No início do andar de cima tirei esta foto


que pude depois comparar com outra neste sítio da internet onde constatei que se trata duma loja estabelecida em 1823, a Miyawaki Baisenan, uma das lojas mais históricas do Japão, está a 7 anos do bicentenário.

O leque que mostro a seguir tinha afixado um preço de 20.000 yens, ao câmbio actual seria cerca de 115€, existiriam mais baratos e mais caros.



Duvido que o controle de brancos da foto anterior estivesse neutro mas gosto da tonalidade quente.

Na foto seguinte constata-se que existem sofás para os clientes poderem apreciar confortavelmente sentados os produtos que vão adquirir



em que além dos motivos florais sobre papel dourado também existem flores sobre suporte de madeira


em que desta vez está bem visível o fio branco que liga cada uma das tabuinhas de madeira que constituem o leque. Já não sei se o que segue é uma janela ou um espelho


A loja está ainda preparada  para clientes que prefiram apreciar os leques em cadeiras em vez de sofás



não descurando as preferências por um ambiente japonês tradicional, de mesas baixas e almofadas sobre tatami


Regresso à multidão de leques que desta vez são ondas do mar, chamando a atenção para a subtileza dos ritmos com que aparecem as ondas com “espuma”. Existem diagonais onde nunca existe “espuma” e outras com outros ritmos. Os ritmos são mais monótonos quando se observam as linhas horizontais.



E para finalizar, um leque sobre madeira mostrando uma ponte, água, nuvens e garças voando


Depois regressámos ao mundo real na Rokkaku Dori



onde os cabos eléctricos e transformadores também são conspícuos e chegámos à casa das caixas Bento,


onde comprámos o que nos tinham encomendado, deixando uma espécie de selfie do autor deste blogue no reflexo da montra da loja

2016-09-12

O alegado paradoxo da taxa de encarceramento


Na sequência do post anterior li a intervenção do presidente do STJ na abertura deste ano judicial em Set/2016 que me pareceu sensata.

Houve contudo um parágrafo, que tenho ouvido de vez em quando por outras pessoas na comunicação social e que transcrevo:
«
Preocupações - perplexidade - centradas na circunstância de Portugal, como salientam os Relatórios de Segurança, ter uma criminalidade moderada, em posição privilegiada no contexto europeu, mas apresentar, paradoxalmente, uma das mais elevadas taxas de encarceramento por 100.000 habitantes, e a maior duração média da permanência na prisão em relação aos países da União Europeia.
»
e que me suscita grande discordância.

Não vejo aqui nenhum paradoxo mas tão só um indício de que a nossa taxa de encarceramento poderá ser excessiva por ser das mais elevadas na União Europeia. A referência à concomitância da taxa elevada com uma maior duração média de permanência na prisão parece-me também desnecessária pois será de esperar alguma correlação entre taxa de encarceramento e duração média do mesmo, as duas variáveis não são independentes pelo que bastaria referir a taxa.

Para usar uma linguagem simples, pode acontecer que a nossa criminalidade seja moderada porque como conseguimos manter os maus encarcerados, eles têm fortes limitações na execução de crimes fora das prisões. Já dentro das prisões surpreendem-me um bocado as notícias que circulam nos media da disseminação de drogas ilegais dentro dos estabelecimentos prisionais.

Ignorar a possível causalidade entre grande taxa de encarceramento e criminalidade moderada (moderada possivelmente por essa taxa de encarceramento) parece-me surpreendente para um presidente do STJ, interrogando-me se se tratou duma frase menos feliz ou se existem graves erros no meu raciocínio.
 

2016-09-10

Leque



Num noticiário de TV no passado dia 1 de Setembro notei numas imagens da cerimónia de abertura do ano judicial que a temperatura da sala (no sentido de propriedade física da palavra) estaria muito elevada e que o operador da câmara, provavelmente a sofrer também com o calor, se entretinha a registar de forma talvez excessiva os incómodos dos participantes.

Antigamente estas cenas de desconforto térmico eram frequentes nas igrejas durante o Verão, em que as senhoras usavam leques, não sei se o ar condicionado do Salão Nobre do Supremo Tribunal de Justiça estava avariado ou se não existe.

No Japão há alguns anos dispensaram as pessoas de algumas formalidades do vestuário durante a época de Verão, para poder reduzir um pouco a intensidade do ar condicionado, poupando energia e mantendo o conforto. A própria Assunção Cristas tentou uma medida parecida quando foi ministra, não sei se com sucesso. Como habitualmente choveram muitas críticas, a uma medida que me pareceu sensata.

Tinha a ideia que a palavra leque vinha da língua japonesa e que teriam sido os Portugueses a trazer essa novidade para a Europa. Afinal, segundo este artigo da Wikipédia os abanos já tinham sido usados por muitos povos e o papel dos Portugueses foi apenas reavivar uma prática que tinha caído em desuso na Europa.

Em inglês usam a palavra “fan” (como para ventoinha), em francês “éventail”, em espanhol “abanico” e por aí fora sem parecenças com a palavra “leque”. A palavra em japonês é “扇子” e a sua pronúncia não parece nada “leque”. No artigo da wikipédia diz que leque é uma forma abreviada de “abano das léquias”, sendo as léquias umas ilhas entre o Japão e a Formosa chamadas assim a certa altura pelos portugueses (por razões que não consegui apurar) sendo actualmente mais comum o nome de ilhas Ryukyu. O Japão anunciou em 1879 a anexação formal destas ilhas, tendo essa acção sido contestada então pela China. Já nessa altura o presidente dos EUA foi solicitado para servir de árbitro, tendo dado razão ao Japão.

Há muitos tipos de leques, achei curioso este leque que julgo que me ofereceram num restaurante chinês em Lisboa, feito com madeira com muitos orifícios e posteriormente pintada com vários grous.




Demorei algum tempo a descobrir o que evitava que as peças de madeira se separassem. É um fio de nylon transparente, com nós nas duas últimas peças do leque, é para isso que servem os dois buraquinhos em cada uma delas. O fio passa depois pelo interior de cada uma das peças de madeira, convenientemente atado com nó em cada uma das peças interiores sendo o nó dado numa posição assimétrica em cada peça de madeira para favorecer a abertura num dos sentidos e limitá-la no outro. Talvez esta técnica seja antiga e usassem um fio fino de cor discreta. Com fio de nylon só a partir da 2ª metade do século XX.



Há muitos anos, numa visita de técnicos japoneses à EDP, ofereceram-me um leque numa caixa levíssima de madeira que suponho ser de balsa. Não o tenho usado mas nestes dias de calor também me lembrei dele. Apresento primeiro a caixa em que veio acondicionado





depois aberto sobre um fundo escuro, tinha uma etiqueta que informava que este leque tinha seda


e finalmente contra o azul do céu






2016-09-06

Saúde, Riqueza e Desigualdade


Acabo de ler "A Grande Evasão" de Angus Deaton.

A evasão deste livro refere-se à libertação por boa parte da humanidade da prisão da doença e da morte prematura, sobretudo na segunda metade do século XX se bem que referindo os progressos que ocorreram em tempos mais recuados. Para a maioria dos países que então se libertaram do jugo colonial existiam poucos dados estatísticos e mesmo agora a falta de informação fiável dificulta a análise detalhada da sua evolução. A diminuição da mortalidade infantil foi o motor principal do enorme aumento da esperança de vida à nascença, complementado nos países mais desenvolvidos com o prolongamento da vida dos idosos. Existem melhorias na saúde dum país que podem ser obtidas através de cuidados médicos mas outros que só se conseguem educando a população e construindo e mantendo as infraestruturas do chamado saneamento básico. Em Portugal o grande esforço no saneamento foi feito após o 25 de Abril e a União Europeia deu uma grande contribuição para esse esforço.

Além da evasão da doença o livro fala também da evasão da pobreza, da importância da desigualdade, quer dentro de um país quer entre países, quer como motor de progresso quer como travão do mesmo progresso.

Na terceira parte o livro fala sobre a ajuda internacional e as suas limitações.

Gostei do livro e recomendo-o.


Adenda:  a Organização Mundial de Saúde declarou na passada segunda-feira (2016-09-05) que o Sri Lanka está livre de Malária.

"Em Portugal, os últimos casos de Malária adquirida no país foram diagnosticados em 1959, e desde então a totalidade das ocorrências são casos importados por pessoas que visitaram países tropicais...". Ainda não nos libertámos das leis da morte mas vamo-nos libertando de algumas doenças.

2016-09-04

Continua o calor


Este calor está a ficar monótono, excessivamente agradável. Hoje à uma da tarde "...nem uma agulha bulia, na quieta melancolia, dos pinheiros do caminho..." como se pode constatar nestas duas imagens da Ponte Vasco da Gama tiradas na sombra da alameda de pinheiros adjacente ao jardim Garcia da Orta no Parque das Nações.





2016-08-20

Preencher o plano


Numa viagem à Índia do Sul em 2012 já referi o hotel Raintree onde ficámos em Chennai.

Na altura gostei muito dum impresso do hotel com este padrão geométrico



que digitalizei num scanner ou fotografei.

Na altura pensei em fazer um pequeno filme para mostrar qual o elemento repetido mas não dei prioridade ao projecto até há poucos dias. Agora fiz um pequeno filme que a partir desta imagem isola o elemento base e depois inverte o percurso percorrido até regressar a este desenho. Aqui está o filminho que demora 34 segundos:



depois isolei o elemento base que mostro aqui
seguidamente fiz um gráfico em Excel para ver melhor os diversos elementos da figura, recorrendo a coordenadas polares


e a seguir colori-os num programa parecido ao Paintbrush



Nesta versão as linhas que separam as áreas coloridas ficaram em cinzento claro.

Não sei se me esqueci de reparar ou de dizer que um dodecágono regular, por exemplo como aquele que serve de base ao padrão que mostrei no post anterior, não consegue preencher um plano completamente.

Essa tarefa está reservada aos triângulos, quadrados e hexágonos como é sabido e referi aqui.

No entanto, para o caso do dodecágono, a figura seguinte mostra que faltam apenas uns triângulos que usando a cor branca se integram perfeitamente com os dodecágonos.

Os padrões internos do dodecágono, com 4 cores sabiamente combinadas, continuam a suscitar a minha admiração.

2016-08-11

Arbusto na areia



Quando passo por aqui, no sopé do acesso à Praia da Rocha mais perto da Fortaleza de Santa Catarina, costumo reparar no viço impressionante deste arbusto implantado já sobre a areia.




O arbusto está rodeado por chorões, plantas carnudas com capacidade para armazenar água, espalhados pelo chão à sua volta, talvez a água venha da rega do jardim da vivenda que se vê na imagem. A planta terá uma altura duns 5 metros.

A foto foi tirada em 15/Set/2015.

2016-08-05

Portimão



Em Novembro de 2015 tirei umas tantas fotos no topo de um edifício localizado numa parte de Portimão que se desenvolveu nos anos 60 do século passado.

Na primeira foto destaca-se o Colégio dos Jesuítas, referido pela Direcção Geral do Património Cultural neste sítio, mandado construir em 1660 e concluído em 1707.



Referi o ensino da Matemática em Portugal e a extinção das ordens religiosas em 2 posts de 2013

Na imagem seguinte constata-se a pequena dimensão de muitas das casas e o seu desenvolvimento na vertical em que as escadas interiores devem gastar bastante espaço



Na terceira imagem a maior presença de açoteias poderá lembrar Olhão, se bem que existam aqui também muitos telhados.



A profusão de marquises sem protecção de estores exteriores, para evitar a entrada de raios de sol directos nos dias quentes, juntamente com a presença de aparelhos de ar condicionado, faz-me pensar no desperdício de energia existente em Portugal. E também no maior destaque dado pelos órgãos de comunicação social às “rendas” das companhias de electricidade atribuindo a quase totalidade das culpas das contas de energia aos comercializadores de energia, passando ao lado da responsabilidade dos consumidores em muitos gastos inúteis de energia.

Na foto seguinte gostei de ver as casas de quase bonecas no topo dos terraços


e da mancha verde dum pátio interior que destaco a seguir 



Neste final de Julho e princípio de Agosto os dias quentes têm-se sucedido, com muito mais calor do que quando tirei estas fotos mas o céu continua dum azul límpido maravilhoso.

2016-07-28

Surreal, como por exemplo Dominique Appia


Em finais dos anos 70 devo ter comprado o poster que mostro a seguir, que tem surpreendido as crianças que têm passado lá por casa




O poster tem o título "Entre les trous de la mémoire" e mostra uma obra de Dominique Appia, um artista suíço de Genebra.

Gosto da forma como a Torre de Pisa foi facilmente endireitada, de como a espuma das pequenas vagas que entram na sala fazem lembrar renda, da transparência das figuras.

Nada disto faz sentido, designadamente a queima de livros, e talvez tenha sido por este ambiente ser tão estranho, que me lembrei dele hoje, quando a Comissão Europeia regressou ao caminho do bom senso depois dum percurso surreal, pronunciando-se finalmente contra a aplicação de sanções económicas a Portugal e Espanha.





2016-07-21

Está calor



Mas já o ano passado, em 6/Julho também estava, como se pode constatar por este vestido azul tão arejado que fotografei o ano passado por esta altura:



A moda continua a surpreender.


2016-07-13

Arco do Triunfo


Para comemorar a vitória de Portugal no Europeu de futebol de 2016 coloco aqui esta espécie de Arco do Triunfo, uma escultura de Artur Rosa de que já falara aqui.





Considerando o entusiasmo persistente que a grande maioria dos portugueses tem pelo futebol e as vezes que a Selecção Nacional quase conseguiu um título pareceu-me que esta vitória era mais do que merecida!

2016-07-08

Blogue Courelas


O JPT que escrevia em Moçambique o blogue-defunto Ma-schamba, que entretanto talvez venha a ficar disponível noutro sítio, reiniciou a actividade bloguista no Courelas, juntamente com mais dois parceiros, onde se podem voltar a ler as suas opiniões fortes, agora mais focadas sobre Portugal.

Retirei o Ma-schamba (actualmente inacessível) da lista de blogues e coloquei lá o Courelas.

2016-07-07

Ohad Naharin, Batsheva Dance Company


Chegou-me via e-mail este endereço

https://www.facebook.com/FalaCaetano/videos/vb.250276871743419/857162461054854/?type=2&theater

apontando uma entrada no facebook do Caetano Veloso com este texto de apresentação:

«
Trecho do documentário biográfico de Tomer Heymann sobre o coreógrafo Israelense Ohad Naharin, que teve grande influência na dança moderna com o seu próprio movimento, intitulado GAGA. Música: Caetano Veloso - It's a Long Way
»


que mostra um pequeno filme de 4 minutos que recomendo entusiasticamente!

Uma pequena biografia do Ohad Naharin está na Wikipédia, a companhia de dança de que ele é director artístico e que é mostrada no filme é a Batsheva Dance Company corpo de bailado com base em Telavive, fundado por Martha Graham (referi-a aqui) e a baronesa Batsheva de Rotschild.


Parece-me que o video no Facebook, acessível através do endereço acima referido, é de melhor qualidade, mas o espectáculo de dança está também disponível no YouTube, acessível aqui




No Vimeo tem também um vídeo interessante que mostro a seguir


DECA DANCE - Tanzstück von Ohad Naharin from Theater-TV on Vimeo.



2016-07-05

Salada de dois queijos para ajudar a Europa


O calor apertou um pouquinho mais agora mas já fiz esta salada em 25/Mai deste ano, presumo que na altura não estivesse frio.



Parece-me uma salada adequada aos tempos que correm, bastante austera, ou contida, adjectivo usado hoje pelo nosso presidente sobre um vinho do Douro.

Tem um leito de alface que deve ser  nacional, queijo da ilha dos Açores também nacional e tomate tipo cereja que se não for produzido em Portugal não deve ter sido produzido mais longe do que a nossa vizinha Espanha, que também precisa de ganhar algum dinheiro para nos comprar os nossos produtos. Temos depois queijo Feta feito na Grécia, ajudando assim a prevenir um agravar da crise grega. Temos ainda orégãos que devem vir do Alentejo e uns grãozinhos de pimenta-rosa para apimentar a nossa relação com a Indonésia, agora que já passou a crise de Timor. Trata-se assim de uma salada que não agrava o nosso défice comercial, evitando contudo tentações isolacionistas.

Da Alemanha importamos apenas o sentido da ordem e da organização, ao mesmo tempo que assim ajudamos os nossos parceiros alemães a não agravar o seu superavit comercial, abstendo-nos de lhes comprar os produtos que fabricam e prevenindo a ameaça cada vez mais provável (dura lex, sed lex) de a Comissão Europeia lhes aplicar sanções pela violação sistemática das regras da União Europeia relativas a superavits comerciais.

De notar que com tão poucas calorias (aqueles bocadinhos de queijo são mesmo pequeninos) ainda contribuímos para hábitos saudáveis dos Portugueses, diminuindo alguma tendência para a obesidade e contribuindo assim também para a contencão da despesa do Serviço Nacional de Saúde.


Em suma trata-se de mais uma das minhas modestas contribuições para a resolução da crise político-económica que assola a Europa.

2016-06-30

Canon de J.S.Bach


Um filme que me chamou a atenção




porque em tempos li no Gödel, Escher & Bach do D.R.Hofstadter uma referência ao Crab Canon.


2016-06-29

SOS Calçada nos Olivais








Há uns tempos que vejo na rua cartazes anunciando um novo serviço da Junta de Freguesia dos Olivais, com a mesma informação da imagem ao lado que fui buscar ao sítio da dita freguesia.




No passado dia 20/Junho, segunda-feira da semana passada, na sequência de uma queda num afundamento que existia na calçada na Rua Cidade de Benguela, telefonei para o nº 914 828 978 publicitado, de onde me disseram que poderiam demorar 15 dias úteis a intervir.










Hoje, dia 29/Jun, quarta-feira, a calçada estava arranjada, como se constata na foto.



 

2016-06-27

Poupa nos Olivais, família Upupa


Num hotel do Algarve em 2006 reparei que no relvado estavam umas aves que não me lembrava de ter visto




ou mais em pormenor



Pensei na altura que poderiam ser Poupas, uma ave que me lembrava aparecer num cromo da colecção “História Natural” de que mostro a respectiva digitalização, incluindo o texto de qualidade fraquinha



Passados quase 10 anos, em Outubro de 2014, uma imagem duma poupa chamou-me a atenção para este artigo da BBC, “How Cyclone Hudhud got its name” onde explica que enquanto no Atlântico dão nomes aos cyclones tropicais desde 1953, no Índico só adoptaram esta prática em 2004, data em que 8 países (Índia, Pakistão, Bangladesh, Maldivas, Myanmar, Oman, Sri Lanka e Tailândia) forneceram 64 nomes, 8 por cada país, para designar ciclones do Índico nos tempos mais próximos.

Como se vê pela lista existem sensibilidades religiosas diversas e foi complicado encontrar nomes que não levantassem objecções. Lembro-me que mesmo no Atlântico, o uso exclusivo de nomes femininos para designar ciclones foi objecto de críticas (o facto das figuras mitológicas gregas designadas por fúrias serem do género feminino não foi  considerado decisivo), passando a usar-se alternadamente nomes femininos e masculinos.

Desta vez o nome pretence à lista de propostas de Oman, Hud-hud é o nome em árabe, etimologicamente uma onomatopeia, à semelhança do nome em ingles Hoopoe. Hud-hud é uma das poucas aves referidas no Corão, a propósito do uma história envolvendo um Hud-hud, o rei Salomão e a rainha do Sabá, actual Yémen.

Copiei esta imagem do artigo da BBC, mostrando uma Poupa a voar



Israel parece ter uma relação complicada com esta ave, enquanto a Torah diz que é uma ave detestável que não deve ser comida, o estado de Israel adoptou-a como a ave nacional em Maio de 2008, são pormenores que li na versão inglesa da Wikipédia, nuns países simpatizam com a ave, noutros não.

O ano passado no Verão avistei outra Poupa sobre outro relvado algarvio (até parece que é uma região chuvosa) mas bastante ao longe



a seguir vê-se melhor



acho que não fui suficientemente rápido a tirar a foto, vi a ave com maior pormenor do que esta imagem mostra.

Com todos estes encontros, quer em cromos, quer na BBC quer no Algarve, fiquei bastante entusiasmado quando vi uma Poupa no bairro dos Olivais Sul em Lisboa, no dia 18/Jun/2016






seguindo-se uma imagem mais pormenorizada



Nesta apanhei a Poupa a voar, se bem que o telemóvel não tenha teleobjectiva




nesta também



e ainda outra



Como no dia 19 a Poupa continuava no local, no dia 20/Jun levei uma pequena máquina Canon, com algum zoom óptico. Nesse dia fotografei um casal de Poupas, em vez de uma só:






No dia seguinte, dia 21/Jun, ainda levei a Canon e consegui este grande plano:






Mais informações sobre esta ave no sítio das Aves de Portugal.